12º O h…!
Oh… Mais um dia de aulas. E o primeiro, ainda por cima… Mais uma turma quase toda nova, onde conhecia pouca gente e me sentia um estranho.
Entrei na sala, de tatuagem no braço e cabelo a rodear a face. Sentei-me, já não sei com quem. Respirei… Respirei o ar que partilharia com eles e elas nos próximos três anos, em princípio.
Ouvi a prof. a falar, sem grande interesse. Os prof’s não falam de nós, falam deles, da escola. A escola… a ESCArro, como lhe chamava na altura. Ah, ainda chamo… Mas é mais raro. Entrava nas suas salas.
Pensava era nas pessoas. Olhava pela primeira vez amigos de sempre e para sempre. Ainda me amedrontava com eles. Que reacções? Que conversas? Que relações o futuro nos reservaria? Entrei na sala…
Olhava para eles. Para a Ana Catarina (British) e a Raquel, que já conhecia bem. Para o Luís, para o Hugo, para o Fernando. Selos! Para a Paula, para a Inês. Hmm?? Para a Joana Raquel, para a Marta. Chiques, não? Para a Joana Barroso e para a Andreia. Mas para elas não muito. Riam-se demais. Para a Sara e a Eliana… Para a Alexandra. A Loira. Para as Vânias. Para todos, sem fim. Entrei na sala. Para a Liliana. Sempre para a Liliana. Olhava-a sem trocar um olhar, sem saber. Não sei se a olhava, entrava na sala.
Temia talvez a mudança. As saudades da turma antiga, dos amigos de anos, matar-se-iam nos corredores. Já não me lembro é de não os conhecer, à turma O. Quem era eu, quando entrava na sala? Era mais pobre (intelectualmente, claro), mais inseguro, mais vazio. Estava à espera deles, à espera de me rir, de me lembrar, de me reunir, de discutir, de crescer, de voltar atrás com eles. Estava à espera de entrar naquela sala.
As pessoas são livros, são banda desenhada, são filmes, são peças de teatro, são arte. Gostei de vos ler, de vos sentir, de vos provar. As saudades não esmorecem, as memórias escorrem eternamente entre gavetas, ardem entre ânsias. O Viver passa, não sem o Ser. E sou muito O, com todo o gosto. Entrávamos todos na sala.
Bom foi o Estar. O estar lá sempre. O Ver. Ver-vos sempre. Agora ver é raro; estar, precioso. Foi o por o pé de fora, foi o andar. Foi o levantar-nos. Foi o partir. Foi o sair da sala. Que saudades de não ter visto esse filme, que vontade de poder voltar a pagar aquele bilhete, de ver tudo outra vez, de actuar nessa vida, nesse cenário, de contracenar convosco. Foi o sair da sala, depois de tanto entrar, tanto conviver.
Saímos todos da sala. Acabou a apresentação. O. Oh…
L. Miguel Marado
turma O
segunda-feira, 9 de julho de 2007
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